terça-feira, 16 de abril de 2013


ESCATOLOGIA DO REINO
Parte I

Ao contrário do que imaginam os religiosos alienados e influenciáveis das denominações cristãs (sejam protestantes ou católicas), a doutrina cristã esteve em ininterrupto processo de evolução teológica ao longo destes dois mil. A partir do primeiro Concílio de Jerusalém no primeiro século (Atos 15), passando pelos importantes Concílios Ecumênicos de Nicéia, Trento etc..., as doutrinas cardeais do cristianismo passaram por inúmeras votações (norteadas pela providência divina) até que se estabelecessem os fundamentos e os absolutos da fé cristã universal, em especial na Cristologia e Soteriologia. E a crença da Igreja Primitiva já não é, absolutamente, em muitos aspectos, a crença da Igreja contemporânea.
Nenhuma outra área do conhecimento teológico é tão controversa quanto a Escatologia (Doutrina das Últimas Coisas). São diversas suas vertentes e postulados, porém, apenas três pontos absolutos resistiram ao desgaste filosófico das gerações e permanecem unânimes na cristandade mundial: (1) A Vinda de Jesus; (2) A Ressurreição dos Mortos e (3) O Juízo Final. Estes são fatos irrefutáveis.
Pontos obscuros da Escatologia continuam sendo, ainda, motivo de controvérsia e divisão no Corpo de Cristo, tais como: A Grande Tribulação; O Anticristo; O Arrebatamento; e o mais nevrálgico: O MILÊNIO.
Como ministro itinerante (além de pastor) e promotor da Unidade da Igreja, não propago senão os absolutos da fé, porém, não me sinto culpado em expor a minha inequívoca posição escatológica quanto ao MILÊNIO, que está fundamentada na revelação e na compreensão Restaurada do REINO DE DEUS.
A escatologia mais popular e disseminada em nossa geração é o Dispensacionalismo Pré-Milenista, que ganhou projeção a partir do final do século XIX através dos ensinos sistemáticos do controverso teólogo C.I. Scofield, e sua famosa Bíblia de Estudos. Na Verdade, essa nova concepção escatológica configura-se como Dispensacionalista, Pré-Milenista, e Pré-Tribulaciosnista.  O Dispensacionalismo é a crença de que Deus “dividiu” a história humana em sete períodos chamados dispensações: Inocência, Consciência, Governo Humano, Patriarcal, Lei, Graça, e Milênio. O Pré-Milenismo é a crença de que Jesus Cristo virá e dará início à “Era do Reino” chamada Milênio. E o Pré-Tribulacionismo é a crença de que haverá um suposto período chamado Grande Tribulação que se dará imediatamente após o rapto da Igreja para o céu. Sobre esta “Grande Tribulação”, ainda há os pontos de vista Pós-Tribulacionista e Meso-Tribulacionista.

As linhas dessa crença histórica de um período milenar são o Milenismo, Amilenismo, Pré-Milenismo, e Pós-Milenismo.
A Reforma Apostólica é uma restauração do Evangelho do Reino de Deus, cujo alicerce escatológico é Pós-Milenista. Queremos dar introdução a este pequeno estudo com a seguinte declaração: O Reino de Deus já foi estabelecido espiritualmente por Jesus Cristo, que agora reina soberano sobre as nações, assim, estamos vivendo no exato período do “MILÊNIO”, que culminará com a Segunda e definitiva Vinda de Jesus Cristo para ressuscitar os mortos, julgar as nações e entregar o Reino ao PAI.

O primeiro problema com a escatologia moderna Pré-Milenista é sua tendência “quilianista” (Gr. chilioi = “mil”), ou seja, a crença de que o termo “mil” (Apocalipse 20:2, 5-7). A linguagem figurativa é a mais predominante nas Escrituras (A Bíblia), e o termo mil, é comumente usado para referir-se a abundância ou perfeição. Assim, o reinado de Cristo por mil anos não é mais literal do que a possessão de gado por Deus em mil colinas (Salmo 50:10), a promessa de que Israel seria mil vezes mais numeroso (Deuteronômio 1:11), seu amor a mil gerações (7:9), o desejo do salmista de estar nos átrios de Deus por mil anos (Salmo 84:10), ou textos comparando mil anos de nosso tempo com um dia de Deus (Salmo 90:4; II Pedro 3:8).
O termo “mil anos” apresentado em Apocalipse 20:2, 5-7 corresponde ao período que vai desde o estabelecimento do Reino por Jesus, até sua Segunda Vinda para o Governo visível e literal. Portanto, esta não é a “Era da Igreja”, mas A ERA DO REINO DE DEUS; acredite definitivamente: Já estamos vivendo O MILÊNIO, que já perdura por aproximadamente dois mil anos. Esta é a posição escatológica mais coerente, e a que foi largamente difundida por respeitáveis ramificações da cristandade, e prestigiados ministros da história. Senão, vejamos o desenvolvimento histórico do Pós-Milenismo:

1-   PÓS-MILENISMO ANTIGO

a)   Nenhum credo antigo afirma qualquer visão milenista específica.

b)   Nenhuma escatologia desenvolvida é encontrada em qualquer um dos Pais da Igreja.

c)   O Pré-Milenismo se desenvolveu de certa forma um pouco antes do Pós-Milenismo (Irineu, 130-202 d.C.), provavelmente como resultado da perseguição que encorajava a expectação do retorno iminente de Cristo. Todavia, aproximadamente no mesmo tempo Orígenes (185-184 d.C.) expressou uma visão Pós-Milenista.

d)   O Pós-Milenismo se tornou dominante a partir do 3º século, com Eusébio (260-240 d.C.), Atanásio (296-372 d.C.), Ticonios (aprox. 400), Agostinho (354-430 d.C.) – tão dominante que a crença num milênio literal foi condenada como supersticiosa no Concílio de Éfeso (431 d.C.). Embora a doutrina oficial da Igreja fosse Amilenista ou Pós-Milenista, o Pré-Milenismo aparecia de tempo em tempo devido às condições sociais opressivas.

2-   PÓS-MILENISMO DA REFORMA: SÉCULOS XVI E XVII

2.1 OS REFORMADORES: O Pós-Milenismo foi incipiente em João Calvino (1509-1605), e expresso com grande clareza por Martin Bucer (1491-1551) e Teodoro Beza (1519-1605)
        
2.2 OS PURITANOS: a) Teólogos Puritanos Antigos: Thomas Brightman (1562-1607), um Pai do presbiterianismo inglês, escreveu um comentário influente, A Revelation of the Revelation [Uma Revelação do Apocalipse], no qual ele apresenta o Pós-Milenismo em detalhe. Outros puritanos eram Pós-Milenistas, incluindo, George Gillespie (1613-1551), John Owen (1616-1683) e Matthew Henry (1662-1714).

3-   PÓS-MILENISMO MODERNO: SÉCULOS XVIII A XX

a)   Pós-Milenistas Proeminentes: Jonathan Edwards (1703-1758), William Carey (1761-1834), Charles Hodge (1797-1878), A.A. Hodge (1823-1886), Augustus Strong (1836-1921), B.B. Warfield (1851-1921), J. Greham Machen (1881-1937).

Em seu desenvolvimento recente, o Pós-Milenismo é chamado de “Reconstrucionismo Cristão ou RESTAURACIONISMO”, também conhecido como “PÓS-MILENISMO TEONÔMICO” ou “NEO-PURITANISMO” (1960 em diante). É A RESTAURAÇÃO DO EVANGELHO DO REINO.

     

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