ESCATOLOGIA DO REINO
Parte I
Ao contrário do que
imaginam os religiosos alienados e influenciáveis das denominações cristãs
(sejam protestantes ou católicas), a doutrina cristã esteve em ininterrupto
processo de evolução teológica ao longo destes dois mil. A partir do primeiro
Concílio de Jerusalém no primeiro século (Atos 15), passando pelos importantes
Concílios Ecumênicos de Nicéia, Trento etc..., as doutrinas cardeais do
cristianismo passaram por inúmeras votações (norteadas pela providência divina)
até que se estabelecessem os fundamentos e os absolutos da fé cristã universal,
em especial na Cristologia e Soteriologia. E a crença da Igreja Primitiva já
não é, absolutamente, em muitos aspectos, a crença da Igreja contemporânea.
Nenhuma outra área do
conhecimento teológico é tão controversa quanto a Escatologia (Doutrina das
Últimas Coisas). São diversas suas vertentes e postulados, porém, apenas três
pontos absolutos resistiram ao desgaste filosófico das gerações e permanecem
unânimes na cristandade mundial: (1) A
Vinda de Jesus; (2) A Ressurreição
dos Mortos e (3) O Juízo Final.
Estes são fatos irrefutáveis.
Pontos obscuros da
Escatologia continuam sendo, ainda, motivo de controvérsia e divisão no Corpo
de Cristo, tais como: A Grande Tribulação; O Anticristo; O Arrebatamento; e o
mais nevrálgico: O MILÊNIO.
Como ministro
itinerante (além de pastor) e promotor da Unidade da Igreja, não propago senão
os absolutos da fé, porém, não me sinto culpado em expor a minha inequívoca
posição escatológica quanto ao MILÊNIO, que está fundamentada na revelação e na
compreensão Restaurada do REINO DE DEUS.
A escatologia mais
popular e disseminada em nossa geração é o Dispensacionalismo
Pré-Milenista, que ganhou projeção a partir do final do século XIX através
dos ensinos sistemáticos do controverso teólogo C.I. Scofield, e sua famosa
Bíblia de Estudos. Na Verdade, essa nova concepção escatológica configura-se
como Dispensacionalista, Pré-Milenista, e Pré-Tribulaciosnista. O Dispensacionalismo é a crença de que Deus
“dividiu” a história humana em sete períodos chamados dispensações: Inocência, Consciência, Governo Humano,
Patriarcal, Lei, Graça, e Milênio. O Pré-Milenismo é a crença de que Jesus
Cristo virá e dará início à “Era do Reino” chamada Milênio. E o
Pré-Tribulacionismo é a crença de que haverá um suposto período chamado Grande
Tribulação que se dará imediatamente após o rapto da Igreja para o céu. Sobre
esta “Grande Tribulação”, ainda há os pontos de vista Pós-Tribulacionista e
Meso-Tribulacionista.
As linhas dessa
crença histórica de um período milenar são o Milenismo, Amilenismo,
Pré-Milenismo, e Pós-Milenismo.
A Reforma Apostólica
é uma restauração do Evangelho do Reino de Deus, cujo alicerce escatológico é
Pós-Milenista. Queremos dar introdução a este pequeno estudo com a seguinte
declaração: O Reino de Deus já foi estabelecido espiritualmente por Jesus
Cristo, que agora reina soberano sobre as nações, assim, estamos vivendo no
exato período do “MILÊNIO”, que culminará com a Segunda e definitiva Vinda de
Jesus Cristo para ressuscitar os mortos, julgar as nações e entregar o Reino ao
PAI.
O primeiro problema
com a escatologia moderna Pré-Milenista é sua tendência “quilianista” (Gr. chilioi
= “mil”), ou seja, a crença de que o
termo “mil” (Apocalipse 20:2, 5-7). A linguagem figurativa é a mais
predominante nas Escrituras (A Bíblia), e o termo mil, é comumente usado para referir-se a abundância ou perfeição.
Assim, o reinado de Cristo por mil anos não é mais literal do que a possessão
de gado por Deus em mil colinas (Salmo 50:10), a promessa de que Israel seria
mil vezes mais numeroso (Deuteronômio 1:11), seu amor a mil gerações (7:9), o
desejo do salmista de estar nos átrios de Deus por mil anos (Salmo 84:10), ou
textos comparando mil anos de nosso tempo com um dia de Deus (Salmo 90:4; II
Pedro 3:8).
O termo “mil anos”
apresentado em Apocalipse 20:2, 5-7 corresponde ao período que vai desde o
estabelecimento do Reino por Jesus, até sua Segunda Vinda para o Governo visível
e literal. Portanto, esta não é a “Era da Igreja”, mas A ERA DO REINO DE DEUS;
acredite definitivamente: Já estamos vivendo O MILÊNIO, que já perdura por
aproximadamente dois mil anos. Esta é a posição escatológica mais coerente, e a
que foi largamente difundida por respeitáveis ramificações da cristandade, e
prestigiados ministros da história. Senão, vejamos o desenvolvimento histórico
do Pós-Milenismo:
1-
PÓS-MILENISMO ANTIGO
a) Nenhum credo antigo afirma qualquer visão milenista
específica.
b) Nenhuma escatologia desenvolvida é encontrada em qualquer
um dos Pais da Igreja.
c) O Pré-Milenismo se desenvolveu de certa forma um pouco
antes do Pós-Milenismo (Irineu,
130-202 d.C.), provavelmente como resultado da perseguição que encorajava a
expectação do retorno iminente de Cristo. Todavia, aproximadamente no mesmo
tempo Orígenes (185-184 d.C.)
expressou uma visão Pós-Milenista.
d) O Pós-Milenismo se tornou dominante a partir do 3º
século, com Eusébio (260-240 d.C.), Atanásio (296-372 d.C.), Ticonios (aprox. 400), Agostinho (354-430 d.C.) – tão
dominante que a crença num milênio literal foi condenada como supersticiosa no
Concílio de Éfeso (431 d.C.). Embora a doutrina oficial da Igreja fosse
Amilenista ou Pós-Milenista, o Pré-Milenismo aparecia de tempo em tempo devido
às condições sociais opressivas.
2-
PÓS-MILENISMO DA REFORMA: SÉCULOS XVI E XVII
2.1 OS REFORMADORES:
O Pós-Milenismo foi incipiente em João
Calvino (1509-1605), e expresso com grande clareza por Martin Bucer (1491-1551) e Teodoro
Beza (1519-1605)
2.2 OS PURITANOS:
a) Teólogos Puritanos Antigos: Thomas Brightman (1562-1607), um Pai do
presbiterianismo inglês, escreveu um comentário influente, A Revelation of the Revelation [Uma Revelação do Apocalipse], no
qual ele apresenta o Pós-Milenismo em detalhe. Outros puritanos eram
Pós-Milenistas, incluindo, George
Gillespie (1613-1551), John Owen
(1616-1683) e Matthew Henry
(1662-1714).
3-
PÓS-MILENISMO MODERNO: SÉCULOS XVIII A XX
a)
Pós-Milenistas
Proeminentes: Jonathan Edwards (1703-1758), William Carey (1761-1834), Charles Hodge (1797-1878), A.A. Hodge (1823-1886), Augustus Strong (1836-1921), B.B. Warfield (1851-1921), J. Greham Machen (1881-1937).
Em seu
desenvolvimento recente, o Pós-Milenismo é chamado de “Reconstrucionismo
Cristão ou RESTAURACIONISMO”, também conhecido como “PÓS-MILENISMO TEONÔMICO”
ou “NEO-PURITANISMO” (1960 em diante). É A RESTAURAÇÃO DO EVANGELHO DO REINO.
